Immer Treu

Wilson Mayrink

In Membros Ilustres on 14/10/2010 at 11:37

PROFESSOR WILSON MAYRINK

O professor Wilson Mayrink é Mineiro de Ponte Nova, Médico pela UFMG (1951), Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e Professor Emérito da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi Professor Catedrático da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Professor Titular do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade federal de Minas Gerais. Recebeu diversos prêmios e honrarias pelo mérito científico de suas pesquisas e é detentor de patentes e autor de mais de 160 artigos científicos em revistas indexadas e mais de duas centenas de trabalhos em congressos nacionais e internacionais. Orientou 11 dissertações de Mestrado e 13 Teses de Doutorado. Formou recursos humanos, sendo que vários grupos de pesquisa espalhados pelo país, foram criados a partir de suas orientações.

 

Pai orgulhoso de dez filhos (seis adotivos), Wilson Mayrink recorda:

“Passei por várias áreas da Medicina, mas nunca me encontrava, até me ver largado em um laboratório. Foi aí que desenvolvi o interesse pela pesquisa. Como não gostava quando meus pacientes perguntavam o preço da consulta ou do tratamento, parei de clinicar e virei cientista de vez (…)”.

Assim é o nosso querido Prof. Mayrink, como é conhecido de todos no Brasil e no Mundo. Sincero! Temperamental! Forte! e Persistente!!! Um verdadeiro cientista, Parasitologista e Tropicalista!

O interesse de Wilson Mayrink pela Leishmaniose foi despertado em 1962, com a visita ao Brasil do professor Saul Adler, da Universidade Hebraica de Jerusalém. O professor logo se juntou à equipe do professor Adler na montagem de um Centro de Estudos em Leishmanioses e começou essa caminhada que já dura mais de 48 anos de atenção principalmente ao povo pobre, sobretudo aquele do Vale do Rio Doce. Em 1965, Mayrink e o epidemiologista Paulo Araújo Magalhães da Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM) iniciaram estudos na Zona do Vale do Rio Doce, sobre a profilaxia da Leishmaniose Visceral (calazar), doença causada por Leishmania
chagasi. De 1965-1971, trataram cerca de 360 casos da doença, somente no município de Caratinga (MG). Como a exterminação dos cães tem importância no controle da doença, 180 mil cães foram examinados, sendo 7% sacrificados, pela SUCAM.

Mayrink recorda que já precisou ameaçar uma pessoa de apresentá-la como responsável pela possível contaminação de toda uma região, para obter concordância dela para o sacrifício de seu cão.

“Não imaginava que um cachorro tivesse papel tão importante para uma família”.

Para evitar a propagação da doença, foram aplicadas as medidas recomendadas por Deane em 1956: tratamento dos doentes, controle dos vetores pela dedetização das áreas residenciais e anexos, sendo estabelecida desde então rigorosa vigilância epidemiológica. Em seis anos de trabalho, a LV foi controlada naquele município.

Nesta mesma época começava a saga da Vacina Anti Leishmaniose Tegumentar.“A maioria das pessoas não acreditava que pudéssemos chegar os resultados, que chegamos. Muitos ainda não dão valor à vacina por ter sido desenvolvida por brasileiros sem apoio e sem as condições de trabalho dos grupos estrangeiros que, mesmo assim, não conseguiram resultado tão satisfatório. Enquanto isso não ocorre, a doença se espraia, fazendo a festa da indústria farmacêutica estrangeira” afirma Mayrink .

 

As pesquisas do Prof. Mayrink tiveram início por volta de 1963 quando o ele organizou o Laboratório de Leishmaniose do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB/UFMG). Suas pesquisas resultaram no desenvolvimento da Leishvacin®, a única vacina existente no mundo de comprovada eficácia contra esse protozoário. Só que o descaso das sucessivas gerências para com a saúde impediu a sua produção em larga escala. Sempre polêmico e contestador frente às políticas públicas de saúde, o Prof. Mayrinktrabalha a 48 anos na busca da cura e da prevenção das leishmanioses e se diz realizado com a autorização do Ministério para a produção da Vacina como um imunoterápico:

“Fora a família, foi o maior prêmio da minha vida”.

Prof. Wilson Mayrink, persistiu junto ao Ministério da Saúde para que assumisse a produção e incluísse a vacina no calendário brasileiro de imunização para indivíduos de áreas endêmicas. As áreas de maior ocorrência da doença hoje localizam-se no Norte, Nordeste e parte do Sudeste e Centro Oeste, principalmente nas regiões agrícolas, favelas e localidades negligenciadas de saneamento básico. Somente no Brasil, as autoridades de Saúde Pública estimam aparecimento de 35 mil novos casos por ano. Em Minas Gerais, mais de 400 municípios já detectaram a doença, que ocorre em 12 milhões de pessoas em 88 outros países.

A partir de 1971, os esforços se concentraram na coordenação de um grande estudo, ainda na região Do Vale do Rio Doce, para testar a eficácia da vacina contra a Leishmaniose tegumentar americana (LTA), depois em Viana (ES), Manaus (AM) e Belo Horizonte (MG). Após a realização dos primeiros testes, ocorreram inúmeros aperfeiçoamentos na vacina. Na Amazônia, os testes foram realizados em soldados do Comando Militar da Amazônia, em região endêmica do estado do Amazonas.

Em 1987 o então superintendente de Campanhas de Saúde, Josélio de Carvalho Branco, informou ao ministro da Saúde, Roberto Santos, sobre o sucesso da aplicação em larga escala da Leishvacin. A OMS autorizou a fabricação da vacina pela extinta Bioquímica do Brasil S/A (Biobrás). Passaram-se quatro anos e o MS suspendeu a autorização para sua produção, sem informar os motivos. Quando a produção foi desautorizada pelo MS, um dos maiores parasitologistas do país, o professor Amílcar Viana Martins, afirmou que a vacina tinha grande valor social, científico e econômico.

A vacina foi reconhecida pelo Programa de Pesquisa de Doenças Tropicais (TDR/OMS), mas apesar disto o prof. Mayrink teve que arcar com recursos próprios para o desenvolvimento de seu trabalho e com apoios da UFMG, FAPEMIG e UFOP. No Ambulatório Paulo Magalhães, em Caratinga/MG, Mayrink ainda cuida dos pacientes, usando a vacina produzida por ele no laboratório da UFMG ainda artesanalmente, e com medicamentos cedidos pelo Ministério da Saúde, Secretaria Estadual e Municipal de Saúde, entre outras. Atende em torno de 15 a 60 novos casos/mês. Alguns precisam percorrer até 200 Km para receber o tratamento. Muitos desistem e o próprio Mayrink já custeou deslocamentos de pacientes. O medicamento padrão para o tratamento é ainda à base de antimônio: Glucantime®, altamente tóxico. Seu uso apresenta restrições para gestantes, idosos, cardíacos, recém-nascidos, diabéticos e portadores de doenças imunossupressoras. Só em 2000, o MS registrou 14 óbitos causados pelo uso do antimônio e, em 2001, o número aumentou para 17. Segundo Mayrink os médicos não estão preparados para lidar com a doença e o seu tratamento.

Em 1988, Paulo Magalhães deixou a FUNASA, e o prof. Mayrink, com o apoio daquela instituição, da Prefeitura de Caratinga e do seu eterno braço direito, Jair Cecílio de Paula, assumiu o serviço. Técnico da Funasa, Jair acompanha há 40 anos o trabalho do prof. Mayrink.

“Nós já combinamos, o dia que um parar, o outro pára também”.

Cerca de oito mil casos de leishmaniose foram tratados pelo prof. Mayrink e o Jair, sem nenhum acidente. Como a vacina desenvolvida por Mayrink não tem contra-indicações, ela é a única maneira de tratar pacientes que não podem receber o antimônio. De acordo com o professor, o resultado final é cerca de 100% eficiente na cura da doença e, quando antimônio e vacina são usados juntos, além da diminuição da dose de antimônio, o tempo gasto é menor do que quando se usa só o antimônio. Já quando somente a vacina é usada no tratamento, o processo de cura é mais lento, pois depende do estado imunológico do paciente.

“A vacina é capaz de levar à cura da lesão e também pode produzir um estado de resistência à doença”, observa Mayrink.

Já aposentado, o professor Wilson Mayrink ainda vai diariamente ao ICB para dar continuidade às pesquisas. Nenhuma administração investiu até hoje neste trabalho, e todos que tomam conhecimento dele afirmam que, se a Leishmaniose contaminasse gente rica, não faltariam recursos para financiar dezenas de pesquisas, como ocorre com outros agravos.

A chamada Leishvacin® foi por algum tempo, produzida pela extinta Biobrás S/A somente para a realização de ensaios clínicos. A produção em escala comercial ainda é um sonho. Mesmo com a qualidade reconhecida pela OMS e posteriormente pelo MS, a vacina anti-leishmaniose que, em 1999, recebeu o Prêmio de Inovação Tecnológica do Sebrae/MG, não é produzida em escala comercial.

Em 1991, a Biobrás S/A passou a ser a empresa responsável pela produção da vacina sob as condições G.M.P. (Good Manufaturing Pratices), que comercialmente nunca foi feita.

Sebrae premia projetos da UFMG 

Professor Wilson Mayrink, do ICB, foi premiado   por ter desenvolvido vacina contra a leishmaniose

A UFMG foi a grande vencedora da primeira edição do Prêmio Inovação Tecnológica, promovido pelo Sebrae Minas. Prof. Wilson Mayrink, do departamento de Parasitologia do ICB, foi o vencedor na categoria Instituição Tecnológica. Mayrink é coordenador da equipe de pesquisadores que desenvolveu a primeira vacina no mundo contra a leishmaniose.

“É o reconhecimento de uma luta de 29 anos”, definiu o professor, que concluiu seus estudos na década de 80. A vacina foi testada na Amazônia – onde reduziu em cerca de 50% a incidência da doença entre militares do exército – e na região de Caratinga,  com resultados igualmente animadores. Além disso, a vacina não é tóxica, nem provoca efeitos colaterais. O prof. Mayrink não perdeu as esperanças de ver a vacina utilizada em larga escala no Brasil.

Publicamos os primeiros trabalhos em 1979, mas a autorização só saiu agora em 2001, conta Mayrink. Entretanto desde a publicação dos primeiros artigos, os países do Oriente com alta incidência de leishmaniose tegumentar passaram a fabricar a vacina. Foi uma luta de várias décadas para conseguir autorização para um trabalho que já estava dando certo“.

O uso da Vacina como um imunoterápico foi liberado pelo Ministério da Saúde em : Diário Oficial da União – 31/10/2001-Secão 1 – Resolução – RE 1.759.

Mayrink continua trabalhando com a vacina na área do Rio Doce, para onde viaja até os dias de hoje,  já com 86 anos.

Homenagem ao professor Wilson Mayrink
Fonte: http://www.chagasleish2010.com.br/homenagem/

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