Immer Treu

| O Brasão

Brasão

“Quando Frederico Barba-Roxa, imperador da Alemanha, Ricardo Coração de Leão, imperador da Inglaterra e Felipe Augusto, rei de França, organizaram a Terceira Cruzada, havia nas tropas de Frederico um soldado de origem holandesa, homem de proporções agigantadas, que integrava o corpo da guarda do Imperador.
Era um Meyerinck.
Certa ocasião, os sarracenos desfecharam um ataque noturno ao acampamento cristão, visando a tenda de campanha de Frederico.
O soldado, fisicamente um gigante, expulsou os invasores arremessando-lhes pesadas pedras. Em sinal de agradecimento, o Imperador, em campo de batalha, armou-o cavaleiro. Daí a explicação para o brasão: no seu corpo, a cruz das cruzadas e as pedras arremessadas. A sua volta, o emblema da Ordem da Cavalaria Germânica, encimado pela coroa de cinco pontas, equivalente ao título de barão, o que lhe concedia foros de nobreza. A Inscrição alemã “Immer Treu” significa “Sempre fiel” (lema do escudo de armas).”

NOTA: O brasão remonta ao tempo das Cruzadas e sofreu naturalmente, com os séculos, algumas modificações.

Livro: Vida e Obra do Conselheiro Mayrink
Autor: Francisco de Paula Mayrink Lessa
Editora: Pongetti – Rio de Janeiro – Guanabara
Ano: 1975

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“Graças ao decidido empenho do Papa Urbano III por volta de 1186, surgiu ou teve lugar, de maneira infausta, ou não muito feliz, a Terceira Cruzada, organizada por Felipe Augusto, rei da França, Ricardo Coração de Leão, imperador da Inglaterra e Frederico Barba Roxa, imperador da Alemanha. Esse, no meio de sua tropa, possuía um bravo soldado prussiano, de origem nórdica, ou melhor holandesa. Homem de tamanho gigantesco e de heróica força. Era um Meyerinck.

De certa feita numa arremetida noturna, os sarracenos atacaram o reduto de guerra dos cristãos, no intento de alcançar e destruir de surpresa a tenda de campanha do imperador Frederico, o qual sem escolha de outra sorte, seria alvo das armas inimigas.

O soldado em apreço, de fabuloso vigor e agilidade diante da inopinada descarga dos adversários, árabes selvagens, foi logo de encontro aos invasores, arremessando contra os mesmos, de súbito, enormes quantidades de pesadas pedras, expulsando-os assim para bem longe em fuga retirada.

Salva por verdadeiro milagre a sua preciosa vida, Frederico Barba Roxa como prova de gratidão, depressa, no próprio campo de batalha, chamado por Meyerinck, tornou-se cavaleiro, conferindo-lhe título de nobreza com as insígnias e armas, a propósito, segundo o estilo e a soberana vontade.

O brasão, em forma original, explica-se e é descrito da seguinte maneira:

Trata-se ao centro de um escudo de prata, cervado, todo simples sem quartéis, ostentando no meio, em vermelho vivo uma grande Cruz de Malta, símbolo das cruzadas. Emoldurando-o, geminado e com modificações, através dos tempos, há o emblema da antiga cavalaria germânica, de largo e complicado desenho no amara ranho das linhas. Corvos, e mais tarde chifres de búfalo e ainda trombas de elefantes, diferentemente, foram representados, em várias idades, sem melhor ou perfeita verificação histórica ou heráldica, no engano, capricho ou por desconhecidas razões de artistas e gravadores conforme a tradição vinda de raros encontros nos arquivos alemães.

Em coma do olmo ou capacete de escudo, por uma coroa de cinco pontas, de gomo equivalente ao título de Barão, que concedia plenos foros de nobreza, existem em torno da cruz, nos cantos ou dos lados dispostos simetricamente oito pedras rubras, duas a duas, que siginificam as que foram arremessadas por Meyerinck consoante o fato em narrativa.

O contorno inferior ao escudo encontra-se em faixa solta, o respectidístico ou divisa, em alemão como não podia deixar de ser – IMMER TREU – isto é: SEMPRE FIEL correspondente ao latim: “Semper Fidelis”.

Ilustrando o brasão vemos o nome ou sobrenome de família Mayrinck, Von Meyerinck, muito depois em Portugal e no Brasil simplificado, em corruptela, para Mayrink, observada a pronúncia alemã.

Nos velhos documentos e correspondências depara-se também o “i” em lugar do obrigatório “y”, por erro ou descuido dos escritores ou copistas e mesmo por ignorância.

Para muitas famílias da Europa, o escudo em questão, com a Cruz de Malta, tem origem a partir de 1044. De qualquer modo, durante séculos até hoje com a graça de Deus, a divisa – Immer Treu – vem sendo honrada e dignificada pela família Mayrink – Sempre Fiel.

No século XVIII, década de 1770 a 1780, deixaram a Holanda e vieram para Brasil, aportando na cidade do Rio de Janeiro, três irmãos holandeses que ali se estabeleceram.

Tempos depois os irmãos se separaram.

O primeiro dos três continuou no Rio de Janeiro. Construiu uma respeitável família feliz em seus empredimentos. Fundou a Rádio Mayrink Veiga, extinta em 1964, visto que não aceitava as imposições de silenciar sobre acontecimentos da Revolução de 1964.

No Rio de Janeiro existe uma rua com o nome Conselheiro Mayrink, Igreja Mayrink e outras homenagens e lembranças. No Museu da República existe um quadro de autor desconhecido do Conselheiro Mayrink. No quadro existe a seguinte inscrição: Francisco de Paula Mayrink, empresário brasileiro, fundou o Banco de Crédito Real do Brasil. Organizou a Companhia Estrada de Ferro Bahia-Minas e constituiu várias outras empresas entre as quais a da Águas Caxambu. Eleito deputado a Constituinte de 1890 a 1891. Participou ativamente de vários negócios públicos.

O segundo dos três irmãos foi para São Paulo onde construiu uma família. Fez sua independência financeira com sucesso em seus negócios. Em São Paulo existem também cidade Mayrink, Rua Mayrink, Comércio e Indústria Mayrink.

O terceiro dos três irmãos veio para Minas Gerais. Era um alto de personalidade e caráter firme e resoluto empreendedor. Chegando em Minas o holandês adquiriu 110 alqueires de terra na região de Urucânia. Neste terreno ele construiu uma fazenda com dois pavimentos e aí se estabeleceu com sua família. Mas tarde o holandês entregou a fazenda para um filho casado e retornou para a Holanda. Outros filhos fizeram suas independências em outras localidades. Um dos descendentes foi o Conselheiro Mayrink, de quem somos parentes diretos, conforme narrado pelos antepassados.”

A familia Mayrink é uma só, tem uma só origem. Todos os de sobrenome Mayrink são parentes.

Texto extraído do livro de José Mayrink – Rio Casca – MG
Créditos: Leonardo Mayrink