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Mayrinks – O Simbolismo por trás do escudo

In Brasão - Imagens e Versões on 24/02/2013 at 22:21

Colaborador: Roberto Carlos Mayrink Teixeira

Continuando minhas análises quanto à simbologia e significado dos escudos das famílias das quais eu descendo, vou abordar hoje a interpretação do escudo dos Mayrink, face aos significados possíveis baseados na literatura heráldica a respeito do assunto.

Brasão da Família Mayrink

Brasão da Família Mayrink

Em primeiro lugar, interpretemos o significado das cores do brasão de armas:

Prata: Também conhecida como Luna ou Lua (em brasões reais, ou para representar planetas), Pérola (para representar jóias, ou títulos de nobreza) Prata, Blanc, Argante, Argente ou Arjante. Como a prata logo se torna manchada, é geralmente representada em desenhos coloridos pela cor branca, e em não-coloridos pelo vazio. Significa a pureza, a integridade, a firmeza e a obediência.

Vermelho: Também conhecido como Marte (representação de planetas ou de armas reais) ou Rubi (brasões de nobreza titulada, ou em jóias) ou ainda Gules, o termo é provavelmente derivado da palavra árabe gule, um tipo de rosa vermelha, assim como o azul foi derivado de uma palavra (safir) na mesma língua, a qual significa pedra azul. A palavra foi sem dúvida, introduzida pelos cavaleiros cruzados; heraldistas, no entanto, supunham ser derivado do Latim gula, que em francês antigo é encontrado como gueule, ou seja, o “vermelho da garganta de um animal.” Outros, ainda, associaram sua origem na palavra hebraica gulade, o que significa pano vermelho. Gules é indicada em gravuras por numerosas linhas perpendiculares. O nome varia de pronúncia: goules, goulez, goulz, gowlys, ocorre com freqüência em rolos antigos de armas. No Cerco de Carlaverock, são usados poeticamente, os termos rouge e vermeile, também rougette. Significa vitória, fortaleza e ousadia.

Quanto a interpretação da simbologia do brasão, o que se pode dizer é que esta é objetiva e direta, podendo ser precisamente bem detalhada.

Cruz

A principio, podemos dizer que a a cruz ao centro é uma peça honrosa de 1ª ordem. A cruz na heráldica é muito freqüente, sendo que seu significado e características variam de acordo com o país e o contexto em que é aplicada. Muitas famílias nobres européias utilizam a cruz em seus brasões como forma de lembrar sua participação nas cruzadas.

Em heráldica, a cruz é a peça honrosa obtida a partir da combinação da Faixa com a Pala, isto é, que ocupa a parte central do escudo, indo através deste da esquerda para a direita e de cima para baixo.

Sua cor, independente de ser de metal ou esmalte, será diferente do campo do escudo. Para que uma cruz possa ser considerada uma peça honrada, seus braços devem chegar até as bordas do escudo. Neste caso, a cruz é considerada como uma cruz completa, caso contrário, será chamada de cruz abscissa ou corte.

A cruz representa a espada do cavaleiro, que está no arsenal de um guerreiro que sacou a espada manchada com o sangue de seus inimigos. A tradição das cores das cruzes heráldicas remontam da época das Cruzadas, em que cada cor de cruz representava, ou estava relacionada as famílias de determinadas nações.:

  • das famílias espanholas o vermelho;
  • das francesas branco;
  • das italianas azul;
  • das alemãs negro;
  • dos saxões verde;
  • dos anglos ouro, amarelo e às vezes vermelho.

Para a heráldica a cruz representa o caminho para a divindade, a defesa da religião cristã, a árvore da vida e é também o símbolo da espada dos cavaleiros.

Quanto a ela ser molina ou ancorada (escrita às vezes moline) é assim denominada porque seus braços terminam de forma curvada, como se fossem as extremidades de uma âncora. É similar a cruz florenciada, ou de flor-de-lis, mas sem a extremidade central. É uma das muitas variações de forma das cruzes usadas por cavaleiros nas cruzadas, muito comum na Ordem Soberana e Militar de Malta, na Ordem dos Cavaleiros Teutônicos e na Ordem dos Cavaleiros Templários, portanto a cruz no brasão revela a  profunda conexão com essas ordens militares, sendo qualquer uma destas conectada com o ancestral Meyerinck, por ter servidos em alguma delas ao Rei Frederico Barbaruiva, durante a 3ª cruzada.

Escudo

O brasão dos Mayrinck apresenta-se com o típico escudo português (boleado, número 11 abaixo) sendo bastante inusitada essa apresentação, uma vez que sendo de origem germânica (prussiana, ), nosso antepassado deveria usar um brasão do tipo alemão (vide número 9 abaixo), sendo do tipo pleno, ou seja, não é partido (dividido). Isso representa que o cavaleiro armado era um nobre de 1ª linhagem, ou seja, é o original, o primordial, e que o escudo foi desenhado como o português provavelmente durante a transição da família da Holanda para Portugal, ao longo de décadas de processos migratórios.

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Formas convencionais de escudos em heráldica

              1. Escudo clássico ou francês antigo
              2. Escudo francês moderno, somático ou samnítico
              3. Escudo oval ou do clero
              4. Escudo em losango, feminino ou lisonja
              5. Escudo de torneio ou de bandeira
              6. Escudo italiano ou de cabeça de cavalo
              7. Escudo suíço
              8. Escudo inglês
              9. Escudo alemão
              10. Escudo polaco
              11. Escudo espanhol, ibérico, peninsular, português ou flamengo
Brasão de Armas dos Mayrink

Brasão de Armas dos Mayrink

As 8 rochas em vermelho exibidas ao redor da cruz ancorada, representam as rochas lançadas pelo Meyerinck primordial, para afugentar os soldados mulçumanos, que atentavam com uma emboscada ao Rei Frederico Barbaruiva, conforme descrevemos no tópico As Origens dos Mayrinck – O guerreiro Meyerinck nas Cruzadas. São da mesma cor da cruz e são exibidas ao redor da mesma, em 1ª ordem, em função da simplicidade do escudo, como honra ao cavaleiro elevado. São na cor gules vermelho provavelmente por ter sido o cavaleiro consagrado por ter feito vários inimigos feridos ou mortos por sua espada em campo de batalha, como reza a tradição heráldica.

Timbre

Na figura do timbre é que temos uma verdadeira confusão de símbolos sem nenhuma conexão aparente entre si, pois vemos o que poderia ser a confusão de representações diversas e desenhos mal feitos ao longo dos tempos. O timbre parece lembrar, chifres ou presas (ou ainda trombas) de animais selvagens tão distintos entre si, como búfalos e elefantes, nada comuns na região de origem do ancestral Meyerinck, além de plumagens de diferentes espécies de aves, não claramente definidas. Do desenho original, não fica clara uma obediência aos padrões heráldicos usuais, mas como se trata de heráldica de origem germânica e carecemos de fontes mais precisas para uma interpretação exata, pouco se pode falar a respeito do mesmo, sem uma pesquisa mais acurada. Recentemente, chegou-se a uma nova possibilidade de interpretação, a de que a figura do timbre seria como a de uma cabeça de javali.

O que se pode afirmar, com base em um estudo generalizado de heráldica, é que as possibilidades de interpretação dadas aos diferentes animais associáveis ao mesmo seriam estas:

Chifres de búfalo (bois)/trombas de elefante – Aparentemente, pares de chifres de búfalo (em dinamarquês, vesselhorn) são muito comuns em timbres nas heráldicas escandinava e germânica, embora sejam praticamente desconhecidos nas outras tradições heráldicas. Como esses chifres eram frequentemente desenhado com um anel aberto na ponta, eles às vezes eram confundidos como trombas de elefante ou trombetas (ver também Heráldica Dinamarquesa na Wikipedia).

Javali/Cabeça de Javali – O javali e a cabeça de javali são figuras comuns em heráldica. O animal completo pode representar aquelas que são vistas como as qualidades positivas do javali, ou seja, a coragem e ferocidade na batalha. Já a  cabeça do javali pode representar hospitalidade (a partir do costume de servir a cabeça do javali em festas), ou ele pode simbolizar que o portador do brasão é um caçador habilidoso.

Na heráldica clássica do final do período medieval e moderno, o javali é um pouco mais raro do que o leão, a águia ou o urso. Um exemplo notável do período medieval é o javali branco de Ricardo III de Inglaterra (1452-1485). O javali aparece com freqüência em brasões de vilas ou cidades projetadas nos tempos modernos.

Corvos –  Os corvos  em heráldica podem representar aspereza, morte avareza, ou a providência divina.

Com relação ao elmo e coroa, conclui-se honraria de barão, baronete, ou cavaleiro, não se definindo bem ao certo, exceto pelo que conta a tradição familiar (referência ao texto acima, da participação do Meyerinck primordial nas Cruzadas).

Mote

O mote familiar (grito de guerra), apresentado em faixa, abaixo do escudo é IMMER TREU, correspondente em latim, SEMPER FIDELIS, o mesmo SEMPER FI dos Marines americanos, e que significa SEMPRE FIEL, ou seja, sempre leal, sempre fiel aos seus princípios, convicções, crenças, lutas, fé.

Conclusão

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Brasão dos Mayrink monocromático, conforme concepção original do mesmo

Finalizando então a minha interpretação pessoal do brasão, eu diria, que partindo da descrição original do brasão e de seus elementos e evoluindo até a versão atualmente conhecida do brasão, que o brasão representa a participação germânica nas cruzadas e o prêmio concedido por um rei, elevando à condição de cavaleiro um valente vassalo, simples soldado, quiçá, um escudeiro, que por sua presença de espírito, nobreza, valentia e fidelidade ao seu rei e à sua fé lutou bravamente livrando-o e aos seus companheiros de combate de morte certa em uma covarde emboscada. Isso conforme conta a tradição passada de boca a boca pelos familiares por mais de 600 anos

Representa a força, a coragem, a bravura, a simplicidade e a fé do seu possessor, o 1º da linhagem.

Cabe lembrar que após essa referência, a família só tem com certa a sua origem germânico-neerlandesa (prussiana) e a migração de seus descendentes para Portugal. É certo que em Portugal a família não tem esse brasão de armas associado aos brasões do Paço de Armas do Palácio de Sintra, o que não é de se espantar, pois a família não tinha até então laços com a nobreza de Portugal, só os estabelecendo após migrar para o Brasil e conviverem com a Família Real Portuguesa durante sua transição pelo Brasil durante as Guerras Napoleônicas e posteriormente com a Família Imperial Brasileira, com as quais estabeleceram laços de fidalguia (alguns dos ramos familiares, que se esclareça logo!) por inúmeros serviços prestados às cortes portuguesa e brasileira.

Por isso tudo, vale a pena se orgulhar de possuir o nome dessa honrada e respeitosa família, pois eles foram guerreiros germânicos, a serviços da fé cristã, nobres cavaleiros e servos honrados desta nação em que vivemos e a qual honraram com grandes serviços desde a sua colonização até os tempos modernos.

Por: Roberto Carlos Mayrink Teixeira

Brasão Mayrink

In Brasão - Imagens e Versões on 14/10/2010 at 10:22

Versão enviada por Pablo Mayrinck

Brasão Mayrink

In Brasão - Imagens e Versões on 21/03/2009 at 20:03
Brasão Colorido

Versão feita por Roberto Carlos Teixeira - RJ

Brasão Mayrink

In Brasão - Imagens e Versões on 21/03/2009 at 19:59

brasao_maior2

Immer Treu

In Brasão - Imagens e Versões on 21/03/2009 at 16:20

Immer Treu

Livro dos Salmos:  “Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam.” (Salmo 115,1)…
Significa: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória”.
Ou seja, esse é o mote por trás do Immer Treu|Semper Fidelis. Sempre humilde e fiel aos princípios e a fé.

Créditos do primo Roberto Carlos Teixeira – RJ

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