Immer Treu

Marília de Dirceu

In Marília de Dirceu on 30/04/2010 at 15:40

Maria Dorotéia Joaquina de Seixas (Marília) e Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu)

Tomás Antônio Gonzaga nasceu em Porto, Portugal, em 1744. Formou-se em direito na Universidade de Coimbra em 1769, e chegou a Vila Rica somente em 1782, como ouvidor.

Era também exímio poeta, e, na sua moradia, na atual rua Cláudio Manuel 61, reuniam-se os intelectuais da época em Vila Rica. No prédio existe afixada uma placa comemorativa na qual se lê:

“Aqui viveu Tomáz Antônio Gonzaga 1782 – 1788″.

Nas proximidades morava, em casa de parentes, Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, órfã de mãe, naquela época com quinze anos de idade. A casa onde morava foi derrubada, e no seu lugar fica a Escola Estadual Marília de Dirceu. Fala-se, no entanto, em reconstruir a casa antiga, transferindo a escola.


Maria Dorotéia nasceu em Vila Rica em 1767, e sabe-se que foi batizada na Igreja de Nossa Senhora do Pilar.

Ao lado da casa de Tomás Antônio Gonzaga, moravam primas de Maria Dorotéia, as quais visitava com freqüência. Uma manhã, quando as moças colhiam rosas no jardim, Maria Dorotéia feriu-se num espinho, e, ao ver o sangue, gritou por socorro, apavorada. Tomás Antônio Gonzaga, que no momento estava no seu jardim, pulou o muro e ofereceu a sua ajuda. Enamorou-se logo da bela e encantadora moça. Carinhosamente, enrolou o seu lenço em volta da mão da mocinha, depois de ter beijado a ponta do dedo machucada.

Violentamente apaixonado, começou a escrever fogosos poemas de amor sobre Maria Dorotéia, a qual chamava de Marília, e sobre si mesmo, a quem chamava de Dirceu.

No início, a jovem não parecia absolutamente corresponder aos sentimentos do poeta, mas, aos poucos, acabou cedendo ao bem apessoado, esbelto, quase quarentão, Tomás Antônio Gonzaga. No entanto, a sua família nobre opôs-se ao casamento, alegando que a ascendência e a posição econômica do pretendente eram inferiores às de Maria Dorotéia. Também temiam que um belo dia, Tomás Antônio Gonzaga pudesse querer voltar para Portugal, e assim, a família ver-se-ia obrigada a separar-se de Maria Dorotéia.

Dois anos se passaram antes que, finalmente, os amorosos pudessem proclamar o seu noivado. O casamento deveria realizar-se no dia 31 de maio de 1789, mas, no dia 23 de maio, Tomás Antônio Gonzaga foi preso, levado para o Rio de Janeiro e, em 1792, deportado por dez anos para Moçambique, sem jamais ter podido rever a sua jovem noiva.

Durante os primeiros tempos depois da prisão de Tomás Antônio Gonzaga, Maria Dorotéia vivia na esperança de que o seu noivo fosse ser solto.

Escrevia-lhe cartas enquanto ele estava preso na Ilha das Cobras, e recebeu também dele algumas cartas e poemas. Dizem que Tomás Antônio Gonzaga teria mandado recado para Maria Dorotéia, pedindo-lhe que o acompanhasse, como sua esposa, para Moçambique. No entanto, ela teria recusado, alegando sentir vergonha da sua falta de hombridade durante o julgamento quando negou, o tempo todo, ter participado na conjuração contra Portugal.

Malgrado isso, não se esqueceu do seu Dirceu que, com os seus poemas, a tornara, a ela, Marília, imortal.

Pouco depois da chegada ao local da deportação, Tomás Antônio Gonzaga adquiriu uma grave doença que por pouco não lhe custou a vida.

Um comerciante português apiedou-se do doente, levando-o para a sua casa. Ali Tomás Antônio Gonzaga foi carinhosamente tratado pela jovem filha do comerciante, Juliana de Souza Mascarenhas. Em 1793, casou-se com ela e teve do casamento várias filhas.

Depois de ter exercido a profissão de advogado, foi nomeado, em 1808, juiz alfandegário em Moçambique.

Morreu em 1810 ou 1811. Seus restos mortais repousam agora no mausoléu do Museu da Inconfidência em Ouro Preto.

Tomás Antônio Gonzaga é considerado um dos maiores poetas neo-clássicos da língua portuguesa de todos os tempos. O livro “Marília de Dirceu” foi publicado em Lisboa em 1792, no mesmo ano em que o desditoso combatente pela liberdade e poeta foi deportado para a África.

Dizem que ainda hoje pode ser visto, alto, moreno e sempre sobriamente vestido de preto e branco, caminhando pelas ruas de Ouro Preto à procura de sua Marília.

Durante os 10 anos de deportação do noivo, Maria Dorotéia retirou-se de Vila Rica, indo viver numa das fazendas de seu pai. Existem documentos que indicam que, depois disso, na companhia de uma tia, teria procurado licença para viajar para a África, provavelmente para reunir-se a Tomás Antônio Gonzaga.

Maria Dorotéia jamais se casou, mantendo-se fiel a Tomás Antônio Gonzaga pelo resto da vida.

Mulher idosa, Maria Dorotéia trajava sempre uma capa preta e longa, um lenço de seda preta encobria os seus cabelos brancos quando, diariamente, ia assistir à missa na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Ali, preferia sentar embaixo do coro ou perto do altar lateral, dedicado à Nossa Senhora da Boa Morte. Dedilhando um rosário de prata, dizia as suas preces. Dizem também que, de vez em quando, cheirava um pouco de rapé que levava numa caixinha.

Maria Dorotéia chegou a ver a libertação do Brasil de Portugal em 1822 e morreu só em 1853, aos 86 anos de idade.

Foi enterrada dentro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Mais tarde, os seus restos mortais foram transferidos para o Museu da Inconfidência.

Livro: Vila Rica – Ouro Preto – Verdade e lenda
Autora: Maj Gustafson
Ano: 1978

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Casa de Tomás Antônio Gonzaga

Nos dias atuais, a grande e bela casa onde viveu o ouvidor e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga é sede da Secretaria de Turismo, Industria e Comércio. A casa possui uma área chamada de “jardim suspenso”. Também é estratégica a sua localização. Das sacadas do segundo andar, tem-se uma excelente vista da célebre Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis e da Igreja de Santa Efigênia. Tomás Antônio Gonzaga viveu nessa casa apenas no período em que exerceu seu cargo de Ouvidor. Quando foi preso, Vila Rica já possuía outro magistrado, que ocupava o imóvel destinado à residência dos Ouvidores.

Álbum de fotos. Confira!

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  1. Muito obrigada por disponibilizar este material, foi de grande valia!!

    Bjx

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